segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um domingo

Acho sensacional como a vida faz reviravoltas repentinas às vezes. Ontem, um domingo, acordei tarde com uma sensação eminente de que não iria fazer nada o dia todo. Numa tentativa de fuga dessa situação tediosamente insuportável, resolvi sair de casa e ir ao cinema ver o filme "Cisne Negro" e qual não foi minha surpresa encontro minha vizinha por lá, na fila para ver o mesmo filme. Bem bizarro... Vimos o filme (que por sinal é muito bom, recomendo absurdamente) e quando estávamos voltando, meu telefone celular toca. Um outro amigo me chama para ver a final da NFL (futebol americano) com várias outras pessoas conhecidas. Super divertido o fato do time que eu aleatoriamente escolhi para torcer ter vencido a final (time este que não era o mesmo da pessoa que me chamou...) Por fim, já em casa e meio sem voz (detalhe: darei 7 horas de aula amanhã) acabo tendo a agradável surpresa de ainda encontrar online minha, agora sacramentada, amiga obrigatória e parceira de papo de todas as noites de MSN, Facebook, Skype e afins! Isso tudo num dia que estava fadado ao tédio de não fazer nada. As reviravoltas da vida são incríveis mesmo! (E detalhe, meu time de futebol ainda venceu!!!)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O clima e a ironia

Eu acho extremamente engraçado a ação da ironia sobre coisas banais, como o clima corrente, por exemplo. Atualmente faz um calor inimaginável no Rio de Janeiro e, creio eu, inspirado por essa situação de miséria, algumas emissoras de televisão decidem transmitir filmes como "Jamaica abaixo de zero" ou "O dia depois de amanhã" em que a neve predomina. E eu, em casa, sob a brisa ridícula do meu ventilador, assistindo isso e imaginando formas diversas (todas usando a força Jedi) para estar naquele filme, mesmo que o filme fosse de tragédias naturais.

Estudei durante anos em uma escola técnica e até hoje me culpo por nunca ter feito a roupa com ar condicionado e o sistema de teletransporte... Qualquer um desses experimentos seriam de grande utilidade agora... Hoje fui ao shopping para estar em boa companhia, tomar sorvete e ficar no ar condicionado sem me preocupar com a conta proveniente desse meu ato. E me sinto muito bem com isso.

Algumas pessoas (muitas) me aconselham que eu tome banhos constantes para passar o calor, o que atendo religiosamente (não só quando me aconselham, lógico), mas quando saio do banheiro parece que até a toalha está colando no corpo! Tomamos um banho com água corrente do chuveiro e quando saímos tomamos outro com suor corrente o dia inteiro! Como proceder em uma situação como essa??!!

Quer saber? Vou me mudar pra Finlândia!

domingo, 30 de novembro de 2008

Jesus no Xadrês

http://br.youtube.com/watch?v=zgl73Xs4Vns >> O áudio

No tempo em que as estradas
Eram poucas no sertão
Tangerinos e boiadas
Cruzavam a região
Entre volante e cangaço
Quando a lei
Era a do braço
Do jagunço pau-mandado
Do coroné invasô
Dava-se no interiô
Esse caso inusitado

Quando o Palmeira das Antas
Pertencia ao capitão
Justino Bento da Cruz
Nunca faltô diversão
Vaquejada, canturia
Procissão e romaria
sexta-feira da paxão

Na quinta-feira maió
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reuniu os moradores
Depois de uma preleção
Ao lado do capitão
Escalava a seleção
De atrizes e atores

Todo ano era um Jesus
Um Caifaz e um Pilatos
Só não mudavam a cruz
O verdugo e os maltratos

O Cristo daquele ano
Foi o Quincas Beija-flor
Caifaz foi Cipriano
Pilatos foi Nicanô

Duas cordas paralelas
Separavam a multidão
Pra que pudesse entre elas
Caminhar a procissão

Quincas conduzindo a cruz
Foi num foi adivirtia
O Cinturião perverso
Que com força lhe batia

Era pra bater maneiro
Bastião num intidia
Divido um grande pifão
Que tomou naquele dia
D'um vinho que o capelão
Guardava na sacristia

Cristo dizia:
- Ô rapais, vê se bate divagar
Já to todo incalombado
Assim num vô agüentar
Tá cá gota pra duer
Ou tu pára de bater
Ou a gente vai brigar
Jogo já essa cruis fora
Tô ficando aperriado
Vô morrê antes da hora
De ficar crucificado

O pior é que o malvado
Fingia que num ouvia
E além de bater com força
Ainda se divirtia
Espiava pra Jesus
Fazia pôco e dizia:
- Que Cristo frôxo é você?!
Que chora na procissão
Jesus, pelo que se sabe
Num era mole assim não
Eu to batendo com pena
Tu vai vê o que é bom
Na subida da ladeira
Da venda de Fenelom
O côro vai ser dobrado
Até chegar no mercado
A cuíca muda o tom

Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas
Que com raiva
Sacudiu a cruz no chão
E partiu feito um maluco
Pra cima de Bastião
Se travaram no tabefe
Pontapé e cabeçada
Madalena levou queda
Pilatos levou pancada
Deram um cacete em Caifaz
Que até hoje num faz
Nem sente gosto de nada

Dismancharam a procissão
O cacete foi pesado
São Tumé levou um tranco
Que ficou desacordado
Acertaram um cocorote
Na careca de Timote
Que inté hoje é aluado

Inté mesmo São José
Que num é de confusão
Na ânsia de defender
Seu filho de criação
Aproveitou a garapa
Pra dar um monte de tapa
Na cara do bom ladrão

A briga só terminou
Quando o dotô delegado
Interviu e separô
Cada santo pro seu lado

Desde que o mundo se fez
Foi essa a primêra vez
Que Jesus foi pro xadrês
Mas num foi crucificado.

Poesia de cordel recitada em shows pela banda
pernambucana Cordel do Fogo Encantado. A banda
arquiteta suas músicas num estilo muito regional
e próprio, com presençaforte de percussão e batidas
africanas. Suas letras de música são sempre muito
criativas, recomendo! Essa poesia em especial foi
composta pelo poeta nordestino Chico Pedrosa.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sobre a noite do meu nascimento

II. Out. Hor. 12 p.m.

A Terra se encontrava coberta de trevas e noite /
Quando o mundo me concebeu: / o esplendor das luzes brilhantes
O adorno dourado das estrelas circundava o campo celeste
Por quê? Para que eu possa contemplar apenas o céu.

Andreas Gryphius (1616-1664)

Tradução e adaptação próprias.

Andreas Gryphius era um poeta lírico alemão da época do Barroco. Gryphius procurava refletir em suas obras o desespero dos tempos de guerra, o desprezo por esta vida vã de ilusões e o apelo para a vida mística na esperança. Embora sendo protestante, Gryphius baseou toda sua obra dramática no teatro jesuítico. Andreas tematiza as contradições humanas, a dicotomia eternidade divina x transitoriedade terrena, a eterna luta entre o bem e o mal.

(Perdão pela falta de informação acerca do autor na obra postada anteriormente. Certifiquei-me de publicar mais essa obra também com o intuito de apresentar o autor aos visitantes do meu blog.)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A miséria humana

O que somos nós, os homens, afinal? Uma morada de dores atrozes.
Um baile da falsa fortuna / um fogo-fátuo desta época.
Um cenário do austero medo / preenchido com a mágoa lacerante /
Neve a pouco derretida ou uma vela apagada.
Esta vida passa apressada como uma conversa fiada ou piadas.
Que, diante da qual, nos despindo da débil vestimenta carnal,
No Livro da Morte das altas mortandades
Desde muito registradas, / é para nós proveniente do sentido e do coração.
Assim como um sonho vaidoso cai facilmente em exílio /
E como uma tempestade que transborda / a qual poder nenhum consegue deter:
Então devem desaparecer também nossas preces / nosso louvor / honra e glória /
O que agora respira / fugirá com o ar.
O que virá depois de nós / nos arrastará ao túmulo.
O que digo? Nós passamos pela vida como fumaça diante de fortes ventos.

Andreas Gryphius (1616-1664)

Tradução e adaptação próprias.