segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A miséria humana

O que somos nós, os homens, afinal? Uma morada de dores atrozes.
Um baile da falsa fortuna / um fogo-fátuo desta época.
Um cenário do austero medo / preenchido com a mágoa lacerante /
Neve a pouco derretida ou uma vela apagada.
Esta vida passa apressada como uma conversa fiada ou piadas.
Que, diante da qual, nos despindo da débil vestimenta carnal,
No Livro da Morte das altas mortandades
Desde muito registradas, / é para nós proveniente do sentido e do coração.
Assim como um sonho vaidoso cai facilmente em exílio /
E como uma tempestade que transborda / a qual poder nenhum consegue deter:
Então devem desaparecer também nossas preces / nosso louvor / honra e glória /
O que agora respira / fugirá com o ar.
O que virá depois de nós / nos arrastará ao túmulo.
O que digo? Nós passamos pela vida como fumaça diante de fortes ventos.

Andreas Gryphius (1616-1664)

Tradução e adaptação próprias.

5 comentários:

luis disse...

Você poderia falarumpouco,mesmo que um breve comentário, do autor quando fosse postar traduções.

Sotero disse...

Erro meu... Postarei sobre o autor nas próximas traduções que postar.

Leonardo Perin Vichi disse...

Concordo com a sugestão acima, apesar de conhecer bem o Gryphius.
Mas apesar disso achei excelente a tradução!! Acho que alguém terá nota boa em Lital I!!

Parabens!!!

Pereira da Cunha disse...

Deixo uma tradução em português:
Enfim o que somos? Uma angústia de dor,
Uma pseudo-feliz dança e um fogo-fátuo ebóreo,
Uma neve quase-fundida e um ermo flóreo,
De apreensão um palco e extinta uma vela a cor.
A vida se esvai tal conversas e rubor
E expulsa-nos desta vacilante veste óssea:
Há muito lançada no registro marmóreo
Da hecatombe, sem sentido esquecida e cor;
Assim como um sonho em vão
desmoronando
Ou uma enxurrada sem obstáculo avançando
Assim nossa fama e honra e glória findará.
Num momento respirando, mas vem a nova:
Que nos sucede então? Nos lança a morte à cova
Assim como o vento a fumaça levará.

Um abraço de Porto/Portugal

apc1907@netcabo.pt disse...

Enfim o que somos? Uma angústia de dor,
Uma pseudo-feliz dança e um fogo-fátuo ebóreo,
Uma neve quase-fundida e um ermo flóreo,
De apreensão um palco e extinta uma vela a cor.
A vida se esvai tal conversas e rubor
E expulsa-nos desta vacilante veste óssea:
Há muito lançada no registro marmóreo
Da hecatombe, sem sentido esquecida e cor;
Assim como um sonho em vão desmoronando
Ou uma enxurrada sem obstáculo avançando
Assim nossa fama e honra e glória findará.
Num momento respirando, mas vem a nova:
Que nos sucede então? Nos lança a morte à cova
Assim como o vento a fumaça levará.